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Apesar de ser a oportunidade que muitos atletas sempre sonharam, este assunto tem gerado polêmica no mundo inteiro

Faltam dois anos para os próximos jogos olímpicos, mas o mundo da escalada já está a todo valor. Isso porque, 2020 será o ano em que o esporte será incluso entre as modalidades disputadas na Olimpíada. Apesar de ser a oportunidade que muitos atletas sempre sonharam, este assunto tem gerado polêmica no mundo inteiro.

Para esclarecer como será a escalada olímpica e explicar quais têm sido os motivos de tantas polêmicas, nós conversamos com a escaladora Janine Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Escalada Esportiva. Ela falou sobre as expectativa, principais promessas brasileiras, regras da disputa e muito mais.

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Confira abaixo a entrevista completa.

The North Face: Como serão as eliminatórias para a olimpíada?

Janine Cardoso (Abee): As principais provas do calendário internacional vão ser usadas como classificatórias para as Olimpíadas. Isso inclui o Campeonato Mundial, o circuito da Copa do Mundo, as competições continentais e há ainda a possibilidade de um evento extra. Os atletas de todos os países que fazem parte do IFSC (Federação Internacional de Escalada Esportiva) vão poder disputar as vagas, contudo existirá um limite de 4 atletas por país, sendo 2 homens e 2 mulheres. Ao todo serão 40 vagas para os jogos, contudo ainda não se sabe contudo quantas vagas vão estar em jogo em cada evento.

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The North Face: Quais são os brasileiros com mais chances de disputar uma vaga?

Janine Cardoso (Abee): No masculino, Felipe Ho Foganholo, a maior promessa da escalada nacional nos últimos anos, com apenas 19 anos, atual campeão brasileiro de vias e o melhor resultado brasileiro em um Panamericano Juvenil, ficando entre os 5 melhores na Dificuldade. Temos também o Cesar Grosso, melhor colocação brasileira em etapas da copa do mundo o ano passado.

No feminino os nomes mais fortes creio que sejam Thais Makino e Patricia Antunes. A Bianca Castro é uma escaladora muito forte também, principalmente em dificuldade no cenário nacional, mas está lesionada este semestre. Vamos torcer para que a recuperação seja rápida.

As 3 vão muito bem nos boulders e nas vias, algo que lhes dá uma boa vantagem na disputa olímpica que vai envolver as 3 modalidades oficiais do IFSC: Boulder, Dificuldade (vias) e Velocidade.

The North Face: Como tem sido a preparação aqui no Brasil visando a olimpíada?

Janine Cardoso (Abee): Temo um planejamento que prioriza mais etapas da copa do mundo este ano, campeonato mundial, para termos muita vivência internacional, e um foco na preparação física com 2 técnicos que irão estudar muito – Anderson Gouveia e André Berezoski, e um preparador físico – Arthur Gaspari

Além disso, os campeonatos brasileiros acompanharão o formato IFSC no pró adulto.

The North Face: Você acha que a inclusão da modalidade nos jogos olímpicos tem colaborado para uma popularização do esporte?

Janine Cardoso (Abee): Sim, tenho sentido que essa vai ser a tendência. A procura pelos meios de comunicação tem aumentado e com isso são mais matérias com a escalada em evidência, ajudando a desmistificar a escalada como uma atividade de risco e apresentando essa faceta mais esportiva e competitiva da escalada.

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The North Face: Como serão as disputas na própria olimpíada?

Janine Cardoso (Abee): O IFSC, sob orientação do COI, escolheu um formato de disputa que combina as 3 modalidades oficiais do esporte: Boulder, Dificuldade e Velocidade. Todos os atletas vão disputar as 3 modalidades e os resultados serão combinados. Haverá apenas duas fases: Qualificatórias e Finais; com 6 atletas em cada final. Como o resultado final vai ser a combinação das 3 modalidades, serão ofertadas apenas 6 medalhas: 2 de Ouro, 2 de Prata e 2 de Bronze, premiando assim 3 homens e 3 mulheres.

The North Face: O formato das disputas e também as eliminatórias têm gerado muita discussão e insatisfação por parte de atletas e treinadores. Por que isso tem acontecido? Quais são as principais polêmicas?

Janine Cardoso (Abee): A principal polêmica é a utilização do combinado das 3 modalidades. A polêmica se dá devido ao fato de a modalidade velocidade ser muito específica e não haver muitos atletas que se dediquem a ela que também se dediquem e obtenham bons resultados nas outras duas, e vice-versa. No boulder e na dificuldade já é muito comum ver atletas disputando e indo bem nas duas. Caso do escalador Tcheco Adam Ondra, que foi campeão mundial tanto no Boulder quanto na Dificuldade em 2014. Ele é um dos que não concordou com o modelo e ainda não se decidiu sobre competir ou não nas Olimpíadas.


Escrito por

Thaís Teisen

Jornalista, formada pela FIAM-FAAM, com especialização em Mídias Digitais pela Universidade Metodista de São Paulo. É apaixonada por esportes, natureza, música e faz parte do time The North Face de Conteúdo Digital.