Incrível, né!? Pois essa é Vinicunca, a “montanha arco-íris”, localizada a algumas horas de Cusco, no Peru. Esse é um lugar realmente mágico, que todo aventureiro e apaixonado por montanhas deveria conhecer.

Meu nome é Raquel Furtado, sou viajante assídua, aventureira de carteirinha e fundadora do blog VamosPraOnde. É um prazer enorme dividir com vocês um trekking surpreendente e ainda pouco conhecido pelos andes peruanos.

Trilha Ausangate

A melhor maneira de vivenciar essa região e conhecer Vinicunca é através da trilha Ausangate, oferecida pela empresa Andean Lodges. A trilha dura 5 dias, nos quais caminha-se cerca de 45km e chega-se a 5.200m de altitude. É verdade que a montanha arco-íris é o cartão postal dessa aventura, mas arrisco dizer que não é sua principal beleza. Não por ser superestimada – não me entendam mal, ela é realmente incrível – mas por existirem lugares ainda mais surpreendentes no trajeto.

22042016-IMG_8202

A jornada começa de carro, quando o grupo e o guia são levados até uma linda floresta ao sul de Cusco para um pique-nique de almoço. De lá, após cerca demais 40min de estrada, começa a caminhada a 4.300 metros de altitude, em Molino Viejo.

O primeiro dia de trilha é bem suave – seu propósito é apenas a aclimatação. Eu comecei a trilha animada – mas confesso que um pouco preocupada com os efeitos da altitude. Caminhamos cerca de 4km entre vales e rios e chegamos no primeiro lodge. Todas as noites dormiríamos em lodges – o que nos ajudaria muito a enfrentar as baixíssimas temperaturas de todas as noites. Os lodges, entretanto,não possuem energia elétrica, o que nos aquecia era apenas uma lareira na sala.

O segundo dia começou bem cedo, com um momento super especial de saudação ao espírito da montanha Ausangate. É uma crença forte no Peru que as montanhas têm seus próprios espíritos. Soprando folhas de coca, invocamos Ausangate pedindo permissão para seguir caminho e proteção durante os próximos 4 dias de trilha.

Caminhamos cerca de 9km e subimos aproximadamente 500m – o segundo dia também é “leve” e considerado um dia de adaptação à caminhada e a altitude. Foi nesse dia, entretanto, que começamos a sentir os efeitos da altitude, principalmente falta de ar. A recomendação é se hidratar bastante e parar para um breve descanso sempre que necessário.

23042016-IMG_8411

Como aconteceria todos os dias, tivemos um excelente almoço no meio da caminhada e depois seguidos para o segundo lodge. Chegamos a 4.800m de altitude sob uma leve chuva de granizo que logo virou uma forte neve, deixando a paisagem em torno do lodge ainda mais bonita. Encaramos uma das noites mais frias, tanto pela neve quanto pela proximidade com Ausangate, que tem em seu pico uma enorme geleira.

O terceiro dia foi intenso. Esse sim foi uma prova de força e resistência.

Começamos com uma subida bem íngrime e chegamos a 5.200m de altitude – o ponto mais alto da trilha. Passamos por lagos incríveis e paisagens de tirar o fôlego! Caminhamos 13km ao todo, entre várias subidas e descidas. A falta de ar e a exaustão apareceram em vários momentos, mas sempre que olhávamos para a natureza, recuperávamos um pouco da energia (é verdade!).

Chegamos no terceiro Lodge por volta das 4 da tarde. Essa noite foi linda: vimos a natureza lá fora toda iluminada pela lua cheia. Começamos o quarto dia às 7 da manhã, encarando mais uma subida bem íngrime, e passamos novamente dos 5.000m de altitude. Lá de cima, pudemos ver as montanhas coloridas e Vinicunca. Que lugar incrível. Esse era o nosso dia mais esperado!

Descemos bastante e começamos a subir novamente. Dessa vez, já estávamos caminhando pelas montanhas vermelhas. Quando menos esperávamos, já exaustos e no topo da montanha, nos vimos dentro das nuvens. Não víamos nada.

Tudo era branco ao nosso redor. O vento era intenso. Ficamos ali, cerca de 20 minutos, torcendo para que o tempo virasses – ainda não tínhamos conseguido ver Vinicunca de perto.

De repente, o tempo abriu… E nós fomos surpreendidos por uma paisagem que parecia de outro mundo. Montanhas coloridas, terras vermelhas que pareciam Marte.. Que lugar era aquele? Ficamos um bom tempo admirando a Montanha Arco Íris e ouvindo histórias da região. Ainda não conseguíamos acreditar no que estávamos vendo.

23042016-IMG_8672

Caminhamos para a direita de Vinicunca e nos surpreendemos ainda mais com a paisagem: neve no topo das montanhas, terras extremamente vermelhas na sequência, pururaucas (formações rochosas que se assemelham ao perfil do rosto de humanos), montanhas com areias esverdeadas que pareciam cachoeiras e uma vegetação com um verde saturado – um tom que a gente parecia nem conhecer.

“Que lugar é esse?” Era tudo o que conseguíamos perguntar.Caminhamos mais um pouco em meio aquela paisagem e armamos uma barraca para almoçarmos bem ali, no meio de “Marte”. Foi mágico! Pouco tempo depois chegamos ao Lodge – cercado por montanhas e à beira de um lago. Era um encerramento com chave de ouro. O quinto e último dia foi bem tranquilo. Tivemos uma subida intensa no início (que durou cerca de 30 minutos) mas depois descemos aproximadamente 8km, passando por vales, rios e pequenas casas das famílias da região.

Chegamos por volta das 12h na estrada, onde um piquenique de despedida nos esperava ao lado do carro, que nos levaria de volta a Cusco. Estávamos exaustos,mas o sorriso no rosto entregava que a jornada havia sido incrível.

Para acompanhar os próximos posts da série da Raquel, basta continuar acompanhando o blog! 😉 

Escrito por admin