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Buen Camiño. Essa frase soa como um mantra dito por todas as pessoas que cruzam a nossa caminhada e que, com o coração cheio de alegria, nos desejam um bom caminho! Naturalmente, ao ouvir esse dizer, nos motivamos a dar mais um passo, mesmo quando estamos exaustos, já no fim do dia!

Foi assim, passo a passo, que chegamos a Puente La Reina, uma cidade da província e comunidade autônoma de Navarra com apenas 2.300 habitantes e onde convergem as duas rotas principais do Caminho Francês de Santiago de Compostela (dos que veem desde St. Jean – ou desde Roncesvalles – e daqueles que vêm desde Jaca/Somport, unificando o caminho Navarro e o Aragonês). O traçado da cidade foi se desenvolvendo em função do Caminho, já que as construções foram erguidas ao longo das rotas seguidas pelos peregrinos. A cidade recebe o nome de Puente la Reina por causa da ponte românica construída sobre o rio Arga a pedido da rainha Doña Mayor, esposa do rei Sancho El Mayor. A ponte, localizada na saída da cidade e passagem obrigatória dos peregrinos, que até hoje mantém a tradição de atravessá-la descalços, possui 110 metros de comprimento, sete arcos e cinco pilares, que antigamente guardavam imagens de santos de devoção popular. Um lugar ideal para um ásana, não acham?

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Após cruzar a ponte, concluímos nossa primeira etapa (o caminho Aragonês) e logo demos início ao caminho Francês! Teoricamente era um caminho mais fácil, pois a cada 5 km, em média, encontrávamos um povoado (e conseguíamos parar tomar um café). Porém, o tempo mudou, o céu azul que nos acompanhava pelo caminho Aragonês foi tomado por uma nebulosa cinzenta que nos permitia ver apenas dez metros à frente e tivemos uma dura semana.

Enfrentamos chuva forte por dois dias de Estella até Navarrete e, além da chuva, fazia muito frio, o que nos colocou em hipótese de hipotermia. Caminhamos de Viana até Logroño com medo de congelarmos, mas foi em Logroño que me bateu a capacidade de Íshwara Pranidhana (auto entrega). Não podia mais resistir à situação, então me entreguei de corpo e alma à chuva, ao vento e ao caminho. Senti que naquele momento não havia mais o que fazer, apenas caminhar até Navarrete!

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Ao sentir que me entregava àquele momento, o sorriso surgiu em meus lábios e o que eu mais temia passou a ser meu prazer e motivação. Passei a curtir e desfrutar do ambiente. Passávamos por um lindo parque, um belo rio de águas verdes, onde me dei conta que naquelas condições naturais, o ser humano parecia não poder estar presente.

Naquelas condições extremas, senti que éramos apenas eu, Vagner e a fauna local do parque, que nos saudava com os sons dos patos na água, esquilos correndo em busca de abrigo ou apenas brincando na chuva, além de outras aves que pareciam nos mostrar o caminho! E fomos assim, até chegar ao albergue, em Navarrete, onde pude secar as roupas e tomar um banho quente!

A chuva foi só uma prévia do que estava por vir! Em dois dias estávamos caminhando 43km em baixo de neve. Acordamos às seis da manhã e começamos nossa rota meia hora depois. Assim seguimos por doze horas a fio de dura caminhada! O dia totalmente nublado, frio e com neve até nossas canelas. Pra mim foi incrível. Era a primeira vez que sentia a neve em meu corpo. Parecia uma criança em um parque de diversão e caminhei com toda motivação em meu coração até me cansar e, quando cansei, respirei fundo e fui até o fim!

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Quando já não podíamos mais, eu e o Vagner passamos a vocalizar o mantra OM (conhecido como o som do universo) e coincidentemente algo incrível aconteceu. Nos últimos minutos do dia (frio, cinza e com nevasca) o sol brilhou no céu e deu espaço a um sorriso em nossos lábios!

Concluímos nossa segunda semana pelo Caminho de Santiago. Já percorremos 500 km e estamos na metade do caminho!

A sensação é viver exatamente um dia após o outro, um passo após o outro, e entre altos e baixos caminhamos juntos em direção ao oeste!

Que cada palavra dita inspire você a despertar o desejo por aventuras, a vontade de descobrir até onde consegue ir!

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