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A Aurora Boreal é um dos fenômenos da natureza mais impressionantes e bonitos que existem. Muitos brasileiros sonham em ver este espetáculo de luzes ao vivo, mas não sabem muito bem como estar no lugar certo e na hora certa. Por isso, nós fomos atrás de alguém que entende muito do assunto: Marco Aurélio Brotto.

Marco é um dos brasileiros com maior bagagem e experiência quando o assunto é aurora boreal. Após muitas caçadas próprias, ele decidiu se tornar um coach de viagens de aventuras para poder levar outros caçadores ao locais mais extremos do planeta para também viverem este espetáculo.

Confira a entrevista que ele concedeu a nós:

TNF: Como surgiu o seu interesse pela Aurora Boreal?

Marco Brotto: O meu interesse surgiu quando, em uma das minhas viagens, eu e alguns amigos passeávamos numa noite no Death Valley (Estados Unidos). Nós conversávamos justamente sobre a beleza do céu naquele instante. Foi quando um dos meus amigos comentou sobre as luzes verdes que aconteciam no polo norte. Eram as auroras boreais.

Em 2006, [eu estava] em um calor de 50ºC. Decidi, então, ir até o Canadá, com temperatura de -46ºC. Inclusive, esta foi a menor temperatura que já enfrentei.

TNF: Como foi o processo até que você decidisse “trabalhar em função” da Aurora Boreal?

Marco Brotto: Foi uma longa história que tentarei resumir. Primeiro, porque somente em 2011 eu vi a aurora boreal pela primeira vez. Ademais, as pessoas não entendiam o que era aquele fenômeno. Então, passo a passo o assunto foi sendo compartilhado. Liderei algumas expedições até que, no início de 2016, surgiu uma grande parceria com a OneLapse Expedições, que me possibilitou a tranquilidade de trabalhar com excelente estrutura e a segurança durante as viagens, que sempre foi uma preocupação e prioridade para mim.
Foi a partir daí que tive condições de possibilitar às pessoas a realização de um sonho da forma que eu sempre quis. O sonho de sentir a Dama do Norte com as condições que eu considero as melhores e, cada vez mais, tentando melhorar. Agora também com a Boom!Viagens temos um projeto lindo para levar seletos grupos de brasileiros para os países do círculo polar ártico, com foco em conhecer mais de perto a cultura, a natureza e outras experiências que tais destinos nos proporcionam e que vão muito além da aurora boreal. Recentemente, por exemplo, voltei com o nosso primeiro grupo da Groenlândia e foi uma viagem inesquecível.

TNF: Qual foi o seu sentimento ao ver este fenômeno pessoalmente pela primeira vez?

Marco Brotto: Medo, a primeira vez foi medo. Mas, isso foi somente por alguns instantes. Depois me rendi e, desde então, o sentimento é de pura contemplação. A cada expedição eu fico mais deslumbrado e emocionado.

TNF: É sempre igual ou em cada ocasião a Aurora Boreal é ou, pelo menos, parece ser diferente?

Marco Brotto: Cada momento é único. Quando falamos às pessoas que a aurora boreal vai dançar no céu elas não acreditam até verem. Até sentirem que cada momento é único. Acredite, é algo que marca a vida da gente!

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TNF: Como foi o processo de aprendizado e vivência até que você se tornasse um expert em Aurora Boreal?

Marco Brotto: Foi uma delícia e de certa forma impressionante. Eu me interessei tanto pelo assunto que comecei a pesquisar os sites científicos, acompanhar os gráficos de atividade solar, conversar com físicos, astrofísicos e outras pessoas no mundo que gostavam do assunto. Eu passava noites acompanhando os gráficos e, no dia seguinte, vendo as fotos postadas. Com isso fui aprendendo à distância sobre o fenômeno. Fazia mapas e seguia remotamente. Depois, com as viagens, fui colocando em prática e desenvolvi uma sistemática bem interessante. Desde a primeira pesquisa até momentos antes da visualização, uso mais de 30 gráficos e centenas de dados. É muito legal.

 TNF: Em seu site você diz que depois de a primeira vez que conseguiu ver a Aurora Boreal nunca mais perdeu o fenômeno em uma tentativa. Qual é o segredo para este sucesso?

Marco Brotto: Primeiro sorte, você precisa ter sorte. Depois, ajudar a sorte. Eu poderia falar sobre estudo, determinação ou foco, Protocolos e regras, mas acredito que a expressão que melhor responde à esta pergunta é o amor por aquilo que se faz. Quando eu estou fazendo isso, o meu sangue corre suave. O coração, por sua vez, bate muito acelerado. É como o alpinista quando chega ao cume da montanha, corredor na linha de chegada, o surfista quando está no tubo. Enfim, cada um de nós tem motivo, uma razão para se arrepiar, para se emocionar.

TNF: Como você planeja uma expedição? Como saber os dias e locais exatos que o fenômeno acontecerá?

Marco Brotto: É bastante interessante, pois as informações iniciais estão disponíveis a qualquer internauta. Mas, o mais importante é saber ler essas informações e, principalmente, o que fazer com elas. Basicamente, precisamos de escuridão, atividade solar, vento solar, densidade do plasma, campo magnético favoráveis e céu limpo. Por meio de consultas ao site da NASA, bem como de universidades e órgãos que se dedicam ao estudo do sol, é possível ter uma relativa assertividade. As informações mudam a cada minuto, temos mesmo assim a chance da atividade chegar estéril, o que faz com que esteja “vazia”, ou seja, sem aurora boreal.

A caçada à aurora está sujeita às interferências da natureza, como ocorre com qualquer atividade esportiva ou de aventura; nunca temos 100% certeza do local e hora. Isso dá mais emoção, mas nada acontece se não tivermos uma estrutura adequada por trás. Trabalhamos com transporte privativo a disposição e motoristas locais com grande conhecimento da região e já adaptados as nossas necessidades. Então nós temos tudo o que precisamos para maximizar as chances de sucesso, enquanto tours tradicionais levam os turistas para saídas com horário e locais fixos, o que minimiza as chances. É uma pena, pois vemos diariamente relatos de brasileiros que viajaram em busca da aurora e acabaram retornando sem terem conseguido ou experiências frustrantes.

TNF: Qual foi a Aurora mais marcante para você?

Marco Brotto: A primeira tem sabor especial e a última de saudades.

TNF: Qual é o seu destino preferido para ver a Aurora Boreal?

Marco Brotto: Cada um dos locais tem suas características próprias, sendo que o momento conta muito. Mas, guardo lindas recordações de todos os locais que já levei os aventureiros.

TNF: Tem algum lugar que você gostaria de ir para ver o fenômeno e ainda não foi?

Marco Brotto: A estação espacial internacional conta? rsrsrsr. Brincadeiras à parte, eu quero começar a explorar mais a região do leste russo e o chamado “true north” que é a parte setentrional do Canadá.

TNF: você nunca estudou fotografia, apesar de ser um super-especialista em fotos da Aurora Boreal e já ter tido muitos materiais veiculados em grandes jornais e exposições. Como você começou nesta área?

Marco Brotto: Eu sou um cara sortudo, porque tive oportunidade de conhecer vários fotógrafos incríveis que viajam comigo, acabei aprendo muito com eles. Mas, estou longe de ser um super especialista. Embora, eu acredite que tenho incríveis fotos de aurora boreal. Inclusive, meu livro sairá em breve com uma coletânea de 200 fotos das quase 40 expedições.

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TNF: Como é uma caçada à Aurora Boreal?

Marco Brotto: Não tem explicação. É uma emoção sem igual.

TNF: Qual é a parte mais difícil desta caçada?

Marco Brotto: Para mim são os momentos em que preciso decidir os horários e destinos, como por exemplo, qual a estrada devo pegar. Saber se a decisão tomada foi a correta, gera uma ansiedade que dura até o momento em que o grupo de viajantes vê pela primeira vez a aurora boreal. Só sossego quando tenho a confirmação de que cada um deles já viu a aurora a olho nu, que já se emocionaram com ela. Enfim, é uma grande responsabilidade realizar o sonho de outra pessoa.

TNF: É necessário algum preparo prévio ou habilidade específica para alguém que quer participar de uma expedição?

Marco Brotto: Não. Você somente precisa saber que as regras devem ser seguidas para a segurança de todos. É importante ressaltar que, em qualquer atividade de exploração, aventura e turismo as regras de segurança deverão ser seguidas. Saber qual equipamento, roupas, conhecer e seguir as regras.

TNF: O que não pode faltar na mala em uma viagem em busca da Aurora Boreal?

Marco Brotto: Se você for fotografar, um tripé por menor que seja. Se for na questão de roupas é ultra importante a proteção para mãos, pés e pescoço. Os aventureiros pensam que só é importante um casaco, segunda pele etc. Porém luvas, meias, gorros e peças menores também são de vital importância. E, finalizando, não é de se levar na mala: Não deixe faltar o coração aberto para que toda a magnitude dessa experiência exploda dentro de você.

Quer saber mais? Acesse o site www.auroraboreal.blog.br e siga o Marco Brotto no Facebook.

Escrito por Thaís Teisen
Thaís Teisen é jornalista, formada pela FIAM-FAAM, com especialização em Mídias Digitais pela Universidade Metodista de São Paulo. É apaixonada por esportes, natureza, música e faz parte do time The North Face de Conteúdo Digital.