Foto: Marcelo Alves/Arquivo Pessoal

Correr na neve é muito diferente de correr no asfalto. Por isso, antes de se aventurar em uma prova extrema, é preciso se preparar para o que está por vir. Para ajudar e dar dicas de como se preparar para corridas na neve, mesmo morando em um país tropical, nós fomos conversar com alguém que entende do assunto: Marcelo Alves, maratonista de provas extremas e recordista mundial por ter integrado o grupo de corredores que realizou 7 maratonas, em 7 dias e em 7 continentes diferentes.

O Marcelo já enfrentou provas nas mais diversas condições climáticas, desde o deserto do Atacama ao Everest. Ele já correu no Polo Norte e diante da Aurora Boreal e teve que lidar com muita neve e temperaturas de -40ºC. Ele nos explicou exatamente o que faz e o que as suas experiências lhe ensinaram para que seja possível se preparar para corridas extremas e na neve mesmo morando em um país sem neve.

Veja tudo o que ele nos contou:

Provas mais lentas

“Para correr provas extremas e, principalmente, na neve, tem dois pontos que eu acho fundamentais:

O 1º é o tempo de exposição, então na preparação é preciso prever isso. Só para ter uma ideia, eu acredito que, numa média, o tempo que você faz em uma prova no asfalto é 50% menor do que na neve. Então, imagine um atleta que faz uma maratona em quatro horas: ele tem que se preocupar, no mínimo, em ficar seis horas exposto ao exercício e ao clima.”

Equipamentos

“Outro ponto super importante é o equipamento que o atleta vai utilizar. São roupas mais pesadas. Normalmente se usa o conceito das três camadas, em a primeira camada ajuda a tirar o suor do corpo, a segunda ajuda a esquentar e a terceira é o corta-vento. Então, a pessoa tem que se adaptar e se familiarizar com este tipo de roupa.

O calçado para correr na neve é o tênis normal de trilha. Eu já vi muitos atletas usarem opções de tênis com Gore-Tex, mas não é o aconselhável. Porque se o suor demorar muito para sair do pé, ele pode congelar. O atleta também precisa de familiarizar com as luvas e toucas.

Ajuda muito você ter produtos de alta qualidade. Eu acho que aqui que é um fator muito legal da The North Face, porque são equipamentos testados ao redor do mundo e por atletas. Então, eu tenho muita confiança quando eu uso os equipamentos, porque eu sei que foram testados. Desde a minha primeira prova, eu sempre usei equipamentos The North Face e até hoje eu nunca tive problemas.”

Treinamento

“A parte de treinamento é realmente muito complicada, porque nós moramos em um país super quente, mesmo eu morando em Curitiba, que costuma ter mais frio, não chega nem perto das temperaturas extremas.

Eu aprendi nessas provas que muitas vezes as pessoas dizem “ah, vamos treinar num frigorífico”. Eu tentei isso algumas vezes e confesso que não chega a ajudar muito, porque você treina em um frigorífico a -10ºC, -15ºC e quando chega, por exemplo, no Polo Norte, que você pega -40ºC é uma diferença muito grande. Então, aquilo que você fez a -10ºC não tem significado nenhum, porque é uma diferença enorme. O melhor a fazer é tentar chegar um pouco antes nos locais da prova, fazer uns treinos, mesmo que curtos, só para você se familiarizar com o equipamento e estar bem treinado para aguentar ficar 50% a mais e não ter erro.”

Substituindo a neve pela areia

O jeito que Marcelo encontrou para treinar a pisada na neve sem ter neve, foi substituindo-a pela areia. Para ele, o tipo de esforço feito para correr nos dois terrenos é bastante semelhante. Mas, Curitiba, sua cidade, também não tem praia. A solução foi ser criativo:

“Antes da minha primeira prova extrema, eu já tinha viajado pra neve para passear, fazer outros esportes. Então, eu já sabia mais ou menos como que era a dificuldade e, como a prova acontece toda em um terreno de neve, eu consegui uma autorização do Jockey Clube de Curitiba para treinar lá na areia.

Eu tinha alguns treinos programados e eu comecei bem simples. A pista do Jockey tem, se eu não me engano, 1km. Então, eu fui lá e fiz uns treinos curtos de 5km, 7km, 8km e fui aumentando até fazer 30km lá no Jockey, o que me ajudou muito. Principalmente porque o tipo de pisada é outro e você usa muito alguns músculos do corpo que você não está acostumado na corrida simples.”  

Troca de experiência

“As redes sociais e a internet também ajudam muito. Eu normalmente faço contato com atletas que já fizeram esse tipo de prova ao redor do mundo e troco bastante informação.”

 

Escrito por Thaís Teisen
Thaís Teisen é jornalista, formada pela FIAM-FAAM, com especialização em Mídias Digitais pela Universidade Metodista de São Paulo. É apaixonada por esportes, natureza, música e faz parte do time The North Face de Conteúdo Digital.