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Laguna de Los Três é um dos lugares mais encantadores que já conheci. A combinação de neve, lagoa azul e as agulhas de granito do Fitz Roy farão você nunca mais esquecer este paraíso.

A minha primeira vez foi em dezembro de 2004 e agora na Expedição Patagônia em 2022, iria repetir o roteiro acompanhado da hiker Eliz Stefanes, que ainda não conhecia a Patagônia e nunca tinha visto neve.

O dia que reservamos para Laguna de Los Três, dia 3 de janeiro, amanheceu com chuva. Poderíamos reagendar, mas senti que esse era o momento.

Sempre que pensamos em percorrer um roteiro, imaginamos um dia de céu azul e poucas nuvens, para ajudar na dramaticidade da cena. Com a luz do sol tudo fica mais iluminado, colorido e bonito.

Até o quilômetro três a trilha foi de subida e com o Rio de La Vueltas emoldurando o cenário a leste. Depois começa uma trilha mais plana entre bosques de faia-antártica e lengas. As nuvens e os bosques escondiam um dos mais famosos cenários patagônicos, as agulhas do Fitz Roy.


Eliz Stefanes no início da trilha.

 

Passamos pelo Camping Poincenot e próximo do quilômetro 9 há uma pequena choupana para os hikers se protegerem da chuva e descansarem.

Seguimos direto pela trilha em estilo switchback, morro acima. Era uma trilha difícil entre pedras e pedregulhos e com uma chuva gelada que não dava trégua. Longa, demorada e penosa. Mas com muita persistência fomos ganhando terreno e com o ganho de altitude, a chuva se transformou em neve.

Rio de La Vueltas.

Depois de mais de uma hora de subida, finalmente chegamos no topo. O Fitz Roy estava escondido. Toda a beleza de Laguna de Los Três estava por trás da neve que caía, da neblina e das nuvens. Mas a ambiência era totalmente outra. Quando nos tiram a percepção da visão, nos resta sentir.

O momento era de contemplação, de abrir os braços e sentir os flocos de neve caindo no rosto. De sentir a nevasca e o frio que fazia no alto da montanha. De sentir um dos cenários mais lindos da Patagônia, reservado somente para nós. De sentir toda a imponência de um dos maiores centros de escalada do mundo. De sentir o quão perigoso é estar em um ambiente tão inóspito com condições adversas da natureza.

Não era para estarmos ali. Mas a Patagônia nos deu uma brecha para senti-la de uma forma diferente. Vivenciamos o breve momento e ganhamos novas experiências.

Acima de tudo, Patagônia é sentimento.


Uma grande surpresa, encontrar um zorro (raposa) na Laguna de Los Três.

Escrito por

Elias Luiz

Escritor, fotógrafo e editor chefe do Portal Extremos. Elias é autor dos livros: Tour du Mont Blanc, Em busca de Emelie; Kungsleden, Uma caminhada no Ártico; Rocky Mountains, Uma jornada pela Great Divide Trail; Everest, A trilha dos sonhos.