Destinos

É muito comum as inspirações de livros e filmes transbordarem para a vida real. Quem já assistiu “Na Natureza Selvagem” e viu Christopher McCandless passar por paisagens incríveis ou leu os livros de Jack Kerouac dificilmente passou ileso pela vontade de sair e explorar o mundo. Foram justamente eles que inspiraram a paulista Jacqueline Arruda a aproveitar os intervalos dos estudos no Canadá para desbravar os Parques Nacionais e as maravilhas naturais que o país reserva.

Uma dessas aventuras aconteceu nas Canadian Rockies e ela compartilhou a experiência com a gente. Confira o depoimento dela na íntegra:

“No começo de Outubro de 2018, Marine (uma viajante francesa) e eu nos encontramos em um hostel próximo ao Lake Louise (Província de Alberta), Canadá. Eu consegui uma carona até o hostel com a garota da Nova Zelândia que sentou ao meu lado no ônibus. Marine estava com malas grandes e pediu carona (na minha carona). Começou ali a nossa amizade.

A temperatura naquela região do Canadá, como os próprios moradores me diziam quando eu estava organizando essa viagem, é difícil de prever. Durante o fim do Verão e começo do Outono, a temperatura estava em torno de -6°C. Sim, você leu certo. -6°C no fim do Verão. E estava exatamente assim quando chegamos para explorar as Canadian Rockies.

Marine e eu planejamos nos encontrar na entrada do hostel na manhã do dia seguinte, para fazer uma trilha que nos levaria ao Lake Louise. Não estava nevando naquele momento, mas havia muita neve cobrindo as árvores e parte das estradas.

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Estrada que leva ao Lake Louise. | Foto: Jacqueline Arruda/Arquivo Pessoal

Para essa trilha, eu levei minha companheira de longa viagem: uma Mochila Recon versão jeans que comprei em 2016. Ela funciona muito bem para passeios mais urbanos e trilhas, devido à praticidade e aos vários compartimentos, que permitem levar tudo o que é necessário pelo caminho.

Minhas luvas Powerstretch (The North Face) foram suficientes para me aquecer durante essa trilha. Eu sempre pensei que roupas de snowboard fossem necessárias quando a temperatura é negativa, mas os materiais The North Face possuem muita tecnologia e eficiência em diferentes ambientes.

Dentro da mochila, eu levei minha Jaqueta Apex Flex e a Jaqueta Venture impermeável em caso de chuva. Nenhuma das duas foram necessárias; pois não choveu, nem ventou. Usamos apenas roupas térmicas durante todo o percurso e eu estava vestindo duas camadas de roupas, tanto em cima, como embaixo.

Tínhamos decidido almoçar apenas no destino final (Lake Louise), então para a trilha eu levei sanduíches e chá gelado, além de água e chocolates. Nenhuma de nós sabia exatamente o que estávamos fazendo, nem o que esperar pelo caminho.

Não tínhamos um equipamento 100% preparado para trilhas, nem um corpo treinado para o que viria pela frente. Sabíamos do risco de encontrar ursos (pois existem muitos na região), mas não encontramos nenhum deles. Conversávamos o tempo todo. Nossas vozes e os carros na estrada devem ter mantido os ursos distantes.

Foi uma caminhada de 4,6 km para chegar até o Lake Louise. Andamos na beira da estrada, que é bem íngreme. Andar na floresta é para aqueles que conhecem bem a região e saberiam lidar com os ursos. O cenário não muda muito, mas é fantástico estar entre aquelas montanhas. Você se sente subindo, subindo, até não perceber que está subindo uma estrada mais.

Quando você se aproxima do Lake Louise, você sente que o frio aumenta de forma rápida. Mesmo com o corpo aquecido depois dessa caminhada, você sente o frio nos seus ossos. Nossa primeira visão à distância foi o Fairmont Chateau Lake Louise: magnífico e imponente.

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Lake Louise, Canadá. | Foto: Jacqueline Arruda/Arquivo Pessoal

Este é um lugar bastante turístico, então têm ônibus o tempo todo trazendo novos turistas. Quando nos aproximamos do lago, encontramos muitos turistas. Todos compartilhando aquela mesma visão que é difícil encontrar palavras para descrever.

A maioria dos turistas chega até o lago, tira fotos e vai embora. Andamos por 4.6km e teríamos mais 4.6km na volta. Nossa trilha toda durou 4 horas. Novamente, não somos profissionais. Mas fizemos tudo de uma forma que tornou essa aventura inesquecível.

Se não tivéssemos andado por tantas horas e quilômetros, com certeza essa experiência não seria tão mágica. Seria apenas descer de um ônibus e tirar fotos antes de voltar para ele.

Aqueles pequenos momentos de conversa para se conhecer, enquanto sentimos o cansaço da longa caminhada. O silêncio quando o cansaço supera a vontade de se conhecer. Aquele momento em que parece que a trilha não tem fim até que você visualiza o seu objetivo final e tudo muda…. tudo muda! E como valeu a pena!

Nosso almoço com a vista das Canadian Rockies foi inesquecível e sentimos o quanto somos privilegiadas por poder estar naquele lugar, compartilhando aquela experiência. E que a vida seja repleta de momentos assim!”

 


Escrito por

Thaís Teisen

Jornalista, formada pela FIAM-FAAM, com especialização em Mídias Digitais pela Universidade Metodista de São Paulo. É apaixonada por esportes, natureza, música e faz parte do time The North Face de Conteúdo Digital.