Destinos

A temporada de montanha no Brasil está a todo vapor. A Luisa Mazarotto, junto com duas amigas enfrentou a Travessia Petrópolis > Teresópolis. O desafio trouxe visuais de tirar o fôlego! Confira o relato caprichado que ela preparou para o blog:

“As expectativas para esse trekking eram altas e foram superadas! Cheguei no Rio de Janeiro na quinta de tarde e encontrei as amigas Daniela Faria de Curitiba, e a Vanesa Ogliari que está morando no Rio. Iniciamos as compras de suprimentos para a travessia, planejamento de alimentação, organização das cargueiras e tudo mais. A tentativa de dormir cedo falhou miseravelmente, como qualquer noite que precede uma travessia.

24 de junho

Pegamos o primeiro ônibus da manhã de sexta-feira sentido Petrópolis e lá encontramos o amigo Marcos Terra, fotógrafo astrofísico, que nos deu uma carona até a portaria do PARNASO.

O primeiro dia é cruel nas subidas, praticamente sem trechos planos e a caminhada não tem visual em sua maior parte. Após quase 8k, meu relógio marcava 1100m de desnível positivo e então chegamos ao topo da primeira subida. Havia uma placa escrito “Graças a Deus” ali, eu ri demais!! Mas a gente só ri porque acabou, ou acha que acabou. Seguindo adiante por mais 1,6km entre subidas (não havia acabado) e descidas.  Chegamos aos Castelos do Açu, que são vários blocos de granito imensos e empilhados, onde escolhemos montar o camping.

Após um descanso de 1h, partimos para os Portais de Hércules, com o objetivo de assistir ao Pôr do Sol e para que o Terra pudesse fotografar a Via Láctea daquele ponto. Pra chegar lá, é necessário ir até o Morro do Marco e pegar uma variante, sentido Portais. QUE LUGAR! Aquelas paredes mudavam de cores a cada instante em que o Sol baixava. Ficamos cerca de 2h por lá e conseguimos avistar lanternas em alguns pontos, inclusive nas paredes e no cume do Garrafão.

Retornamos ao acampamento por volta de 20h30 e a Dani fez um belo Strogonoff de Pinhão para o jantar no nosso hotel de 5 milhões de estrelas.

25 de junho

Acordei e pratiquei 30 minutos de yoga e alongamento com uma vista incrível e depois retornei para nosso café da manhã. A Vane fez ovos mexidos com ovo em pó (fica igualzinho, por incrível que pareça) para comermos com pão sírio, além de Nutella com mix de castanhas e frutas secas. Guardamos tudo, nos despedimos do Terra e partimos para o segundo e mais lindo dia de trekking.

 

A caminhada é mais tranquila – alterna subidas e descidas – e tem visual na maior parte  do tempo. O primeiro cume do dia foi o Morro do Marco, apenas 1km de distância do Morro do Açu e após mais 1,5km chegamos ao Morro da Luva. De lá, já conseguíamos avistar o topo do Garrafão e da Pedra do Sino! Almoçamos no cume e partimos para o vale, que tem uma cachoeirinha e uma ponte de madeira. Após esse ponto, chegamos ao famoso Elevador, uma sequência longa de grampos presos ao granito, que funciona como uma espécie de escada. Para o montanhista paranaense é algo já habitual, mas quem tem problemas com altura pode precisar de equipamentos de segurança. A subida termina no Morro do Dinossauro, onde já podemos avistar o Vale das Antas. Seguimos e pudemos coletar uma água deliciosa e refrescante.

Voltamos a subir e chegamos ao lance mais famoso de toda a travessia, o Cavalinho. Ele já faz parte da subida da Pedra do Sino e a trilha ali é bastante exposta, pois caminhamos na companhia de um belo barranco na esquerda, hehe. O Cavalinho é temido por ser o trecho mais íngreme da subida, e por ser necessário escalar um bloco de pedra. Como eu, Vane e Dani somos escaladoras, foi tranquilo passar por ali, mas levamos uma corda para içar as cargueiras, por segurança. Essa subida é linda, linda! O visual incrível da Serra nesse ponto impressiona bastante! Logo acima, chegamos ao ponto que bifurca a trilha para o Abrigo 4 e o Cume da Pedra do Sino (2275m).

Seguimos para o cume de cargueira mesmo e, ainda bem! O vento lá no topo era absurdo e estava muito frio. Precisamos colocar fleece, jaqueta de pluma e anorak para aguentar o clima, já que a ideia era assistir a mais um Pôr do Sol. O espetáculo foi comemorado por todos que estavam por lá. Foi muito legal! O Sol baixou e corremos para baixo junto com ele, pois queríamos garantir um bom lugar no Abrigo 4. Montamos as barracas, fomos cozinhar e dormir.

26 de junho

Era 6h da manhã quando olhei o relógio. A tempestade estava reduzindo para uma chuva mais fraca, mas seguia densa e constante. O café da manhã foi dentro da barraca e estávamos com uma preguiça enorme de sair na chuva para desmontar acampamento.

O guarda-parque cedeu o hall de entrada do Abrigo para que os montanhistas pudessem organizar as mochilas, protegidos da chuva. Ali dentro conhecemos três escaladores que estavam no Garrafão. Eram as lanternas que vimos quando estávamos nos Portais de Hércules! Os escaladores Leoni Marcel, Leonel Rilo e Renan Gaspar Mendes fizeram o cume do Garrafão pela Via Crazy Muzungs em quatro dias de escalada em artificial – um feito bem complexo e para poucos. Pudemos ver as fotos em primeira mão e descer junto com eles, conversando sobre a escalada e tantas outras coisas que, às vezes, eu até esquecia da chuva.

Foram 12,5km de caminhada, a trilha parecia um rio em alguns trechos, não parou de chover um minuto sequer e, por incrível que pareça, meu pé se manteve sequinho e não tive bolhas, graças à bota Vectiv. Levei também meu anorak favorito, que me manteve seca e quente o tempo todo. Nesse dia, mal lembramos de registrar os momentos, pois tocamos direto até a saída do parque, só queríamos aquela pizza no final!”

A escolha correta de alguns equipamentos foi de extrema importância para o conforto durante os dias do trekking, confira:

– Mochila Cargueira: Terra 55 + capa de mochila tamanho M
– Bota Vectiv Exploris Mid Futurelight
– Anorak Venture 2 
– Fleece Summit L2
– Jaqueta Stretch Down 
– Luva Etip Recycled

 

Se animou para encarar esse desafio? Quer mais opções de trekkings? Então aproveite para ler também o texto 3 TREKKINGS INCRÍVEIS NO BRASIL PARA CURTIR A TEMPORADA DE MONTANHA


Escrito por

Rachel Magalhães

Jornalista, formada pela FIAM-FAAM. Apaixonada por aventuras, ama viajar, conhecer novos lugares e estar em contato com a natureza. Faz parte do time da The North Face há oito anos.